rede social de História
Por Alex Sander Alcântara
Agência FAPESP – Há décadas a historiografia contemporânea tem incorporado a imprensa como fonte fundamental para se compreender
momentos históricos e a atuação de protagonistas. Mas a fragilidade e
as limitações do papel impresso, especialmente seu acesso, representam
dificuldades aos pesquisadores.
Com o objetivo de ampliar o acesso a jornais e revistas do século 19 e início do século 20 no Brasil, o Arquivo Público do Estado de São Paulo acaba de lançar o site Memória da Imprensa, uma seleção de periódicos digitalizados do acervo da instituição.
O serviço reúne por enquanto 14 títulos de jornais e revistas de época, que permitem acompanhar a trajetória da imprensa paulista e brasileira a partir da seleção de exemplares de 1854 a 1981.
De acordo com o Carlos de Almeida Prado Bacellar, coordenador do Arquivo Público, além de ampliar o acesso, outro objetivo importante do novo site é preservar os raros originais das publicações.
“Jornais e revistas antigos têm um suporte muito delicado. O papel amarela com facilidade e a consulta é muito complicada. O acesso direto
aos originais ajuda a destruir ainda mais. Quanto mais conseguirmos
passar para o formato digital, mais colaboraremos na preservação dos
originais”, disse à Agência FAPESP .
Segundo ele, a partir de agora pesquisadores não terão acesso aos originais dos jornais e revistas que já estão em formato digital. “Só
poderão consultar em casos muito específicos e que serão analisados.
Essa é uma iniciativa importante para preservar o acervo”, disse.
Parte do acervo já digitalizado ajuda a reconstituir momentos importantes dos mais de 200 anos de história da imprensa no Brasil.
Pesquisadores já podem acessar desde publicações que marcaram época,
como a revista A Cigarra (1914-1975) e o jornal Última Hora (1951-1971), até títulos menos conhecidos, como o jornal sindical Notícias Gráficas (1945-1964) e o anarquista La Barricata (1912-1913).
Segundo Bacellar, a ideia é colocar à disposição do público um conjunto variado de fontes. “Buscamos alguns exemplos de periódicos
famosos, mas que ilustrem tendências ou conceitos diferentes. Temos
desde a grande imprensa até pequenos jornais e revistas com perfis mais
variados, como sindicais, políticos ou culturais”, disse.
A digitalização dos jornais e revistas é uma iniciativa interna do Arquivo do Estado. “Algumas digitalizações em curso estão envolvidas
diretamente em projetos de pesquisa relacionados, como, por exemplo, à
imigração em São Paulo, e à resistência política durante a Ditadura
Militar”, explicou.
Movimento
O Memória da Imprensa já soma mais de 1.670 páginas de jornais, mas, de acordo com seu coordenador, as páginas disponíveis
ainda representam uma amostra ínfima, se comparadas com a totalidade
disponível no Arquivo do Estado.
“Esperamos que esse material sirva para o uso do professor em sala de aula e dos próprios alunos. Caso o professor queira dar uma aula
sobre o período da República Velha no Brasil pode, por exemplo,
consultar alguns jornais anarquistas do período”, disse.
Um dos destaques é o periódico alternativo Movimento, que liderou a campanha pela anistia durante a ditadura militar. Lançado em
1975 e fechado em 1981, teve 3.093 artigos e 3.162 ilustrações
censurados pela ditadura.
Segundo Bacellar, a alimentação do site será feita ao longo do ano de forma aleatória, com relação aos títulos. “Mas, às vezes, coincide
com solicitação externa. Uma entidade pede, por exemplo a digitalização
de um determinado jornal. De qualquer forma, pretendemos chegar, até o
fim do ano, com mais de 2 milhões de páginas digitalizadas”, disse.
O Arquivo Público do Estado de São Paulo é um dos maiores arquivos públicos brasileiros. Sua hemeroteca tem cerca de 1,2 mil títulos e 32 mil exemplares de revistas e mais de 200 títulos de jornais.
Já estão disponíveis no site as revistas O Malho (1902-1954), Panóplia (1901-1935), Anauê! (1935), Vida Moderna (1907-1925) e Escrita (1975-1988), além dos jornais Lanterna (1901-1935), Acção (1936), Germinal (1902-1913) e Correio Paulistano (1854-1963), este último o primeiro diário da província de São Paulo.
Para acessar a página e mais informações: www.arquivoestado.sp.gov.br/memoria
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